velho

28 de dezembro de 2009

Era uma tarde como outra qualquer, quando Bento resolveu dar um passeio pelo parque. O sol estava perfeito naquele dia, tornando vivo qualquer ser que se banhava com aquela farta luz. Os pássaros chilreavam, as fontes espirravam água para todos os lados, as pessoas caminhavam, brincavam, se exercitavam. Tudo muito típico.

Mas nem tudo era assim. Um senhor, bem idoso, sentado em um banco, resmungava palavras que Bento ão conseguia ouvir. As feições do velho mudavam de acordo com as palavras que pronunciava.  Bento, que não conseguia controlar sua curiosidade, parou,  sentou-se e ficou a observar o pobre velho.

“Ele deve ter algum problema mental”, imaginou Bento.

“Talvez ele esteja apenas ali, sentado e praticando um discurso que fará logo mais”, cogitou Bento.

E assim a tarde transcorreu, o velho sentado solitário em seu banco recitando suas palavras, e Bento, ali, sentado observando o velho.

Quando já não aguentava mais de curiosidade, Bento levantou-se e resolveu interromper o velho.

“Desculpe, senhor, falou comigo?” indagou o jovem rapaz.

“Não, meu filho. Eu que peço desculpas se te importunei” e virou para o lado “Não te disse, ele resolveu falar conosco”.

“Perdão, conosco quem?” intrigado perguntou o rapaz.

“Oras bolas, ninguém.Você deveria limpar os ouvidos, meu caro rapaz” e virou novamente para o lado “Quieto, assim ele vai saber”.

Irritando-se, Bento resolveu dar um basta naquela história maluca. “Já chega, quero saber imediatamente com quem o senhor acredita que está falando, e de minha pessoa. Que audácia!”

“Mas, meu rapaz, é apenas meu amigo imaginário, Astolfo”.

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